Estou escrevendo aqui pela última vez. Sim, estou de saída do Margarina No Pão. O motivo não é nada pessoal, apenas acho que não sirvo para blogs coletivos. Sou tipo "lobo do mato", hahaha. E também porque quero poder me dedicar mais ao livro que estou escrevendo. Mas antes de ir, eu quero dizer uma coisa: Kid, Eloá, Gi e Jojo, desejo muita sorte à vocês e espero que o blog cresça e que tenha cada vez mais seguidores. Mal conheci vocês (com excessão do Kid) e pude perceber que são boas pessoas e possuem boas reflexões. Eu estarei seguindo vocês (no bom sentido, claro rs). Então, até mais, auf Wiedersehen.
"Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era." [...]
PROCURA DA POESIA (Carlos Drummond de Andrade)
Eh uma pena, vc escreve mto bem...
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